Enxergando
com os Olhos
de Deus
Em Lucas 7:36-50, encontramos uma história marcante. Jesus foi convidado para jantar na casa de um fariseu chamado Simão. Durante a refeição, uma mulher conhecida por sua vida pecaminosa entrou sem ser convidada, chorando aos pés de Jesus. Ela os beijava, os lavava com suas lágrimas e os ungia com um perfume precioso. Ao ver isso Simão o fariseu a julgou severamente chamando-a de pecadora e questionando Jesus por permitir que ela se aproximasse.
Então Jesus lhe fez uma pergunta profunda: "Você está vendo esta mulher?" Essa pergunta continua atual. Jesus não queria saber se Simão havia notado sua presença, mas se realmente a enxergava — seu valor, sua dignidade e sua necessidade da graça de Deus. Cego pelo julgamento, Simão via apenas seus erros. Da mesma forma, muitas vezes a Igreja deixa de enxergar as pessoas pelos olhos de Cristo porque está ocupada demais julgando e condenando.
Há uma grande diferença entre olhar e realmente enxergar.
Já foi dito: "Vemos tudo para o que olhamos, mas não olhamos para tudo o que vemos." Simplesmente manter os olhos abertos nos permite ver, mas, para realmente olhar para algo, precisamos envolver nossa vontade e nosso coração."
Quando usamos apenas a visão, sem realmente focar nos perdidos e quebrantados, nos tornamos insensíveis à sua dor.
A pergunta que Jesus fez a Simão também pode ser feita a nós: estamos olhando para as pessoas como criação de Deus, dotadas de dignidade e valor inerentes? Estamos vendo-as com o amor e a compaixão que Jesus oferece?
Em Lucas 19:10, Jesus declara: "Pois o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido." Essa é a missão da Igreja — buscar e salvar os perdidos. Mas, para fazer isso, primeiro precisamos aprender a realmente olhar. Precisamos enxergar a necessidade, a dignidade e o valor das pessoas com os olhos de Cristo, cheios de amor e ternura.
Como Igreja, muitas vezes podemos ficar tão consumidos por atividades, programas e compromissos que acabamos negligenciando a tarefa mais importante: olhar para o mundo perdido com a mesma compaixão que Jesus demonstrou.
Lucas 10:25-37 conta outra história, desta vez envolvendo um líder religioso que colocou Jesus à prova, perguntando: "O que devo fazer para herdar a vida eterna?" Jesus o levou a recordar a Lei, e ele respondeu corretamente: "Ame a Deus e ao seu próximo." Mas, querendo justificar-se, o líder perguntou: "E quem é o meu próximo?"
Jesus respondeu com a Parábola do Bom Samaritano. Nessa história, encontramos um homem ferido, um sacerdote, um levita e um samaritano. Tanto o sacerdote quanto o levita viram o homem ferido, mas escolheram seguir adiante. Estavam preocupados demais com seus deveres religiosos e enxergaram aquele homem como um inconveniente, e não como o foco de seu ministério. Em contraste, o samaritano, embora também tivesse seus compromissos, olhou para o homem, compadeceu-se dele e tomou a iniciativa de ajudá-lo.
Com frequência, a Igreja confunde simpatia com compaixão. Sentir emoção diante do sofrimento ou demonstrar apoio a uma causa não é o mesmo que ter compaixão. A verdadeira compaixão exige atravessar a rua; exige dedicar nosso tempo, talentos e recursos para ajudar quem está em necessidade.